Sobre ventos e flores
O silêncio migra para outro silêncio
Enquanto uma flor vence um furacão
Vence, porque suas raízes já haviam
Aprendido a amar a terra
E toda a raiz sabe a vida até o fundo
Porém, cada silêncio é uma palavra condenada
As flores não conhecem o tempo
Por isso resistem com sua beleza
Aos ventos fortes e mordazes
Sim, querido Drummond, outra flor nasceu na rua
Uma flor difícil
Compreendida apenas pelos pássaros
Ou por uma brisa à beira mar
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
domingo, 7 de dezembro de 2008
Bondade
Bondade
Há dias em que acordo
Com uma estranha ternura
Pelas pessoas
Uma ternura tão ingênua
Que passo a crer em todas elas
Como se todas fossem capazes
De gestos benevolentes e doces
Como se todas fossem capazes
De amar um oceano inteiro
Mesmo sem compreendê-lo
Há dias em que vida é tão vasta
Que todos os medos se perdem pelos bosques
E um caminho feito de terra e céus
São inventados por pessoas bondosas
E há os dias como estes
Em que um céu estrelado
Guarda meu sono
Enquanto a bondade do mundo
Trabalha meu destino
Há dias em que acordo
Com uma estranha ternura
Pelas pessoas
Uma ternura tão ingênua
Que passo a crer em todas elas
Como se todas fossem capazes
De gestos benevolentes e doces
Como se todas fossem capazes
De amar um oceano inteiro
Mesmo sem compreendê-lo
Há dias em que vida é tão vasta
Que todos os medos se perdem pelos bosques
E um caminho feito de terra e céus
São inventados por pessoas bondosas
E há os dias como estes
Em que um céu estrelado
Guarda meu sono
Enquanto a bondade do mundo
Trabalha meu destino
sábado, 6 de dezembro de 2008
Sexta e sábado
Forasteiro
Estou vindo de um lugar que não há mais
Um lugar onde as mulheres
Eram vestidas de sol
E os homens fechavam os olhos
Para senti-las passar
De onde eu venho não há solidão
E o tempo é algo tão longínquo
Quanto qualquer instante
Desenhado no horizonte
De onde eu venho
Cada lágrima tecida
Comove todos os homens e todas as mulheres
E os velhos por um momento
Deixam suas memórias
Para reconhecer um pouco mais de tristeza
Alma
O poema é a morada
Das minhas angustias
A história da minha poesia
Está submersa nas almas
De todos os homens
E de todas as mulheres
Meus poemas são memórias
E a memória está sempre ameaçada pelo tempo
No entanto, a memória se defende
Inventando passados
Imaginando vestígios
Driblando verdades
Mas a verdade só é
O caminho que vou imaginando
Estou vindo de um lugar que não há mais
Um lugar onde as mulheres
Eram vestidas de sol
E os homens fechavam os olhos
Para senti-las passar
De onde eu venho não há solidão
E o tempo é algo tão longínquo
Quanto qualquer instante
Desenhado no horizonte
De onde eu venho
Cada lágrima tecida
Comove todos os homens e todas as mulheres
E os velhos por um momento
Deixam suas memórias
Para reconhecer um pouco mais de tristeza
Alma
O poema é a morada
Das minhas angustias
A história da minha poesia
Está submersa nas almas
De todos os homens
E de todas as mulheres
Meus poemas são memórias
E a memória está sempre ameaçada pelo tempo
No entanto, a memória se defende
Inventando passados
Imaginando vestígios
Driblando verdades
Mas a verdade só é
O caminho que vou imaginando
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Ernesto Sabato
Ernesto Sabato
Terminei de ler o livro “a resistência” de Ernesto Sabato e saí com a sensação que a melhor forma de viver é resistir. Mais do que um velhinho dando lições de moral, Sabato com seus 90 anos se mostra lúcido e vigoroso ao resistir com palavras à tempos sombrios como o que vivemos. Sabato resgata valores, a experiência, a sabedoria e o amor pela vida. Desde o seu livro “Sobre heróis e tumbas” que Sabato não me comovia. Peço que prestem atenção neste trecho de “A resistência”:
“Esqueci grandes trechos da vida e, em compensação, ainda palpitam em minhas mãos os encontros, os momentos de perigo e o nome daqueles que me resgataram das depressões e amarguras. Também o de vocês que acreditam em mim, que leram meus livros e me ajudarão a morrer”
Aproveito este trecho para agradecer as poucas pessoas que têm lido e acompanhado meus poemas, parafraseando Sabato:
“Ainda palpitam nos meus olhos os encontros, os momentos difíceis, o nome daqueles que abriram a porta do quarto, acenderam a luz e me resgataram das amarguras. E também o de vocês que acreditam em mim, que leram meus poemas e me ajudarão a viver”
Obrigado!
Terminei de ler o livro “a resistência” de Ernesto Sabato e saí com a sensação que a melhor forma de viver é resistir. Mais do que um velhinho dando lições de moral, Sabato com seus 90 anos se mostra lúcido e vigoroso ao resistir com palavras à tempos sombrios como o que vivemos. Sabato resgata valores, a experiência, a sabedoria e o amor pela vida. Desde o seu livro “Sobre heróis e tumbas” que Sabato não me comovia. Peço que prestem atenção neste trecho de “A resistência”:
“Esqueci grandes trechos da vida e, em compensação, ainda palpitam em minhas mãos os encontros, os momentos de perigo e o nome daqueles que me resgataram das depressões e amarguras. Também o de vocês que acreditam em mim, que leram meus livros e me ajudarão a morrer”
Aproveito este trecho para agradecer as poucas pessoas que têm lido e acompanhado meus poemas, parafraseando Sabato:
“Ainda palpitam nos meus olhos os encontros, os momentos difíceis, o nome daqueles que abriram a porta do quarto, acenderam a luz e me resgataram das amarguras. E também o de vocês que acreditam em mim, que leram meus poemas e me ajudarão a viver”
Obrigado!
Solidões
Cada pessoa carrega
Uma solidão diferente
Existe a solidão necessária
Aquela que nos faz
Uma Espécie de ilha
E assim tateamos nossos limites
Até sabermos
Onde a terra finda e o mar rebenta
Mas há a solidão de doer
Aquela que dói nos ossos
E desta que estou a falar
Do peso da ausência
Que as pessoas carregam nos ombros
E nos olhos
Quando caminham caladas e remotas
Curo minhas ausências
Prestando atenção
Na solidão dos outros
E na minha também
Só Deus tem direito a solidão
quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
Procura
Procura
O que procuramos
Não está no tempo
Nem nos aços dos espelhos
O que procuramos está sendo construído
Está sendo imaginado por uma
Força bruta e delicada
Às margens de um rio
Mas o tempo não é nosso
É das palavras e das coisas
A metáfora me conhece antes de mim
O que procuramos
Não está no tempo
Nem nos aços dos espelhos
O que procuramos está sendo construído
Está sendo imaginado por uma
Força bruta e delicada
Às margens de um rio
Mas o tempo não é nosso
É das palavras e das coisas
A metáfora me conhece antes de mim
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Chuva fria
Chuva fria
Hoje uma chuva fria
Me fez prestar mais atenção
Nos gestos dos outros
E também no modo como as pessoas
Se protegem dos pingos
Dos ventos
Elas encolhem os ombros
Fecham os olhos
Como se buscassem abrigo
Dentro de si mesmas
Hoje uma chuva fria
Me fez prestar mais atenção
Nos gestos dos outros
E também no modo como as pessoas
Se protegem dos pingos
Dos ventos
Elas encolhem os ombros
Fecham os olhos
Como se buscassem abrigo
Dentro de si mesmas
segunda-feira, 1 de dezembro de 2008
Sustento
Sustento
Evocar a poesia é um pacto com a solidão
A presença difícil de um poema
Me conforta
Ou me torna impossível
Mas um poema é tão vasto
Que pode caber
Dentro de um coração partido
Porém, mantenhamos calma
O universo está por um fio
Mas o céu pode ainda sustentá-lo
Evocar a poesia é um pacto com a solidão
A presença difícil de um poema
Me conforta
Ou me torna impossível
Mas um poema é tão vasto
Que pode caber
Dentro de um coração partido
Porém, mantenhamos calma
O universo está por um fio
Mas o céu pode ainda sustentá-lo
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